Beny Fard
Os Ativos Digitais não são todos iguais - o que os define e como eles se diferenciam?
Investimentos Alternativos19/12/20254 min de leitura

Os Ativos Digitais não são todos iguais - o que os define e como eles se diferenciam?

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O que define um ativo digital

O que define um ativo digital é a forma que a sua titularidade é controlada: com um sistema de registro digital chamado blockchain. Isso significa que a definição não tem a ver com a natureza econômica do ativo em si (que pode ser desde uma ação até uma criptomoeda), mas com a tecnologia de registro.

Esse sistema, diferentemente de cartórios, funciona 24h por dia e não depende de inteferência humana; e, em contraste com data centers como os usados por instituições financeiras, podem ser auditados em tempo real, substituindo o emaranhado de sistemas fechados do mercado tradicional por uma infraestrutura aberta, transparente e eficiente.

 

Assim como o registro em cartório é usado para controlar a titularidade de ativos muito diferentes, como carros, imóveis e empresas, ativos das naturezas econômicas mais diversas têm registro digital. Isso implica que, para entender e analisar um ativo digital, o próximo passo é entender a que categoria ele pertence.

 

Quais são as categorias de Ativos Digitais

Classificar um ativo digital significa classificar o seu ativo subjacente – ou seja, identificar que direitos são representados pelo seu registro digital. Os 3 principais tipos são:

 

1. Stablecoins são ativos digitais pareados 1:1 a uma moeda fiduciária, como o dólar (USD) ou o real (BRL). Em geral, o preço é ancorado por uma regra simples: cada unidade de stablecoin (como USDT ou USDC) pode ser resgatada por uma unidade da moeda correspondente (nesses casos, o USD).

 

Este mercado ultrapassou os US$300 bilhões recentemente, graças aos avanços regulatórios nos EUA e às vantagens competitivas: como esses ativos permitem deter e transferir valores em moeda estrangeira sem passar pelos custos dos meios tradicionais de transferência internacional, esses ativos têm sido usados para pagamentos entre países e hedge cambial (exposição ao dólar, por exemplo).

 

2. Ativos tokenizados estendem a lógica das stablecoins para outros ativos ao representar o direito sobre imóveis, ações, títulos de dívida, etc. Assim, combinam as vantagens do registro digital com produtos que já são conhecidos do mercado tradicional.

 

Alguns casos de uso têm validado vantagens importantes: propriedade fracionária sobre imóveis, ampliando o acesso a investimentos no setor via redução do tícket mínimo; exposição a ações estrangeiras tokenizadas, antes inacessíveis para o público; e a Renda Fixa Digital, que tem viabilizado operações de crédito que não conseguiam acessar o mercado de capitais, expandindo as opções de acesso a crédito e o universo de ativos disponíveis para o investidor.

 

3. Criptoativos são, como o Bitcoin e o Ethereum, lastreados em economias digitais – e, portanto, sem lastro direto em ativos tradicionais, como as moedas fiduciárias, as ações de empresas e os imóveis.

 

Há, aqui, uma diversidade de tipos de ativos, entre os quais se destacam: as criptomoedas, como o Bitcoin, usadas como meio de pagamento ou reserva de valor; e os ativos de plataformas, como o Ethereum, que dão acesso a funcionalidades de uma rede de registro digital.

 

Ativos Digitais - O que muda para o especialista

Os ativos digitais chegam ao investidor por diferentes meios - e disparam dúvidas. Quando essas dúvidas não são respondidas pelo especialista, o investidor pode acabar encontrando outras âncoras de confiança.

 

Por isso, conduzir o cliente pelo universo de ativos digitais é um diferencial que constrói confiança e retém share of wallet (parcela da carteira do cliente gerida) que poderia vazar para provedores especializados.

 

Lembre-se: os ativos digitais não existem para acabar com o mercado que conhecemos. Muito pelo contrário, eles estão trazendo mais eficiência, transparência e liquidez para diferentes mercados, como vimos nos exemplos das stablecoins.

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